domingo, 25 de outubro de 2009

Suo frio
Suo quente
Suo o tempo todo

segunda-feira, 7 de setembro de 2009















Não acredito em todas as histórias que ouço ou li. É bem verdade que as adapto, incorporando a meu bel prazer aquilo que me agrada. Das histórias de Sansão, gosto não só dos cabelos, mas também de sua força.
E das lendas da Amazônia, fico com o encantamento do boto que, disfarçado sob seu chapéu de palha, me carrega pra maré...
Olha aí, olha o meu guri, olha aí...

Que me importa se o Segalen não
previa o exotismo
de um cacho de pupunhas
no Ver-o-Peso?

É devagar, miudinho, devagarinho...

Me voilà outra vez... Desta, não pra falar de escrivaninhas e sacis, mas pra atualizar este que pretendia ser um espaço de enfrentamento. De certo que minha falta de determinação e perseverança me atrapalham mais do que qualquer medo de enfrentar o que quer que seja. Inclusive, escrever. Confesso que, pra fazê-lo, é preciso se habituar. Mais do que isso, é preciso que eu me dê um tema. Mas quem disse que consigo, assim naturalmente, determinar o assunto sobre o que escrever?
Incrível como esta sensação sempre me persegue. É como se eu tivesse que ir fazendo uma limpeza nas idéias pra poder organizá-las. Não, talvez não seja bem isso. Na verdade, não se trata bem de limpeza. Vou meio que tateando, totalmente perdida, a procurar as palavras. Mas sou eu quem as acho? Sou eu quem as escolho? Normalmente, não.
Esta minha inabilidade de de ser prática me torna prolixa. Dizem que devagar se vai ao longe. E divagar, leva pra onde?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De sacis-pererês, cucas e escrivaninhas

Um dia a gente tem que botar a cara a tapa. E este dia chegou. O texto não está pronto na minha cabeça. Na verdade, faz tempo que um texto não me vem, assim, espontaneamente. Antes
vinha(m). Antes viesse(m). Enfim, de pretérito imperfeito (do indicativo e do subjuntivo) o mundo está cheio e, convenhamos, acabei de dar uma aula de francês em que eu explicava o presente do subjuntivo; não estou aqui pra conjugar nada.
Mas, por falar em tempo verbal, faz mesmo muito tempo que não escrevo. Acho que a Letras faz isso com a gente: bloqueia. Mas bloqueia de uma forma mais cruel, porque parece que agora só consigo escrever se/quando me pedem/mandam/exigem. Imaginem, só escrevo o que é pré-requisito. Profissional das Letras? Veja no que foi dar aquele longínquo vestibular... Bloqueio.
Fosse na época em que eu tinha minha velha máquina de escrever, já haveria pelo menos 16 ou 17 folhas de ofício-rascunho amassadas pelo chão. Velhos tempos em que eu escrevia um poema atrás do outro, meio que ajoelhada ou sentada sobre as pernas, com a tal máquina de datilografar sobre a cama.
Poxa, só agora me dou conta de que nunca tive uma escrivaninha...Isso é tão... tão... tão triste pra alguém que gosta(va) de escrever. Dá vontade até de chorar. Bah, e dizer que tem gente que tem e sempre teve uma e nunca deu valor. Será que a gente só dá valor quando nunca teve ou perdeu? Pode ser, mas o fato é que agora vejo o quanto me fez/faz falta essa tal de escrivaninha. Imagino-a e talvez sempre a tenha imaginado de madeira, meio velha, no sentido de gasta, meio antiga, não muito elefantona (odeio móveis que atravancam a casa)... Uma escrivaninha só minha pra escrivinhar. Só eu poderia me debruçar sobre ela. De certo que eu a lustraria bem, com um paninho de lã, cortado da manga de um blusão velho listrado marrom e amarelo que já estava mesmo rasgado. De certo também que eu usaria um lustra-móveis de lavanda ou jasmim. Sim, porque lustra-móveis tem que ter um ou outro cheirinho, que é pra dar essa impressão boa de limpeza, de que o móvel é outro, de que foi transformado por aquilo que Bachelard chama de civilização da cera. Ele também teria dito que só as mulheres são capazes de construir a casa por dentro. Se é verdade que só elas sabem? Não sei. E depois não estou aqui pra responder a tudo.
Volto, então, à tal escrivaninha que nunca tive, esta de madeira, pequena, um pouco maior que uma das classes que se costuma ocupar nas escolas públicas. Nunca uma de fórmica, laqueada ou coisa que o valha. Como já disse, seria uma de madeira, bem gasta (ou "bem" usada), meio furada até, por que não? Acho, aliás, tenho certeza de que tenho síndrome de sítio do Pica-Pau Amarelo. Adoro a minha vó materna, mas a casa da D. Benta era o máximo. É verdade que na casa da minha vó até hoje a gente pode encontrar o fogão a lenha. É também verdade que os armários da casa da vó Geni foram se transformando. Antes, de madeira. Agora, devem ser de metal, envidraçados. Nem reparei direito, que não me demoro em reparar em nada que seja modernoso, nem clean demais, nem da TOK STOK ou das casas Bahia. Debruço-me mesmo é sobre tudo o que me lembra uma casinha de vó de contos de fada, de desenho animado, de Era uma vez. Não, Freud não deve explicar. Ele não sabe nada a meu respeito. Nem eu.
O caso é que não sei se isso que sinto agora seria nostalgia ou melancolia em relação à falta deste singelo móvel que só existe pra mim. Só sei que a primeira namorada do Manuel Bandeira foi um porquinho-da-índia. Quem me dera que meu primeiro namorado tivesse sido esta tal escrivaninha.